sábado, 3 de outubro de 2015

Minha intenção era das melhores, fazer as pazes.
Hoje eu rasgo a realidade com as unhas, puxo a pele fina que se enrola, só existe escuridão.
Observo o cotidiano distante, pessoas que passam, conversas vazias, por dentro me encolho, traído, na dor.
São ratos e baratas que roem a nossa vida, o desejo é abstrato.
Só há escuridão.
Respirando a imundice do mundo sorrio para fantoches vazios de alma e com um buraco no lugar do coração, onde esta a escuridão.
Esse quadro surreal se desmancha num borrão... Explosões distantes...
Da caixa escura dos meus pensamentos surgem seres que se contorcem e com as mãos retiram fios vermelhos do estomago e oferecem como prova de vida, “veja” eles falam e caem ecoando pelo chão, a neblina negra os devora.
Dedos e sangue se misturam,  pele, olhos, sobrancelha... Tudo estremece numa oscilação venenosa, da escadaria vem a destruição e vai embora.
Aos poucos a realidade se levanta, ela sempre volta. Recolho fragmentos de passado e faço o sentido do agora, aprendemos a sobreviver um dia e isso nos escora.

Meu juízo me repreende e dá risada... Não há fuga mais insana do que fazer piada... 
Quanto mais experimento a vida, mais aprendo aprendo a morte
 cada um de nós, completamente sós.
Pessoas e mundos passam por nós como furacões, sacodem nossa ordem, depois deixam aquela sujeira que sempre estamos limpando, lagrimas num canto, sorrisos pelo chão, fotos que ficam amareladas na memória. E acumulamos varias caixas antigas de lembranças, todas diferentes, mas se não colocamos etiquetas não as diferenciamos

black box

há corações que sangram uma dor que o mundo não transmuta sangram o sangue que suas almas não comungam a folha cai, a pedra funda a água vai e pelo amor solitário expurga vejo homem, sou planta, a pedra superior tento calma, a minha alma, que cresce de terrível, tanta dor, é maior que o mundo vi a cor, senti o som, anjos sofrendo sem retorno a flor que nasceu no asfalto a folha verde que rebelde cresce a alma da arte arde e clama sozinha, nula, impotente seus filhos puros sacrificados que sacro oficio ter um mundo tão lindo e nele viver seres de si exilados a pureza é a rebeldia dessa era tão insana onde estão os guerreiros bons que protegem as almas puras? O gambá apedrejado a erva forte que é julgada dana quem enxerga a doce canção que esses anjos cantam? que nos acalante a ilusão de um céu

sábado, 22 de agosto de 2015

Aos Olhos Dele (Florbela Espanca)


Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Parecia tão denso
mas a um leve toque se esfarelou
com essa vontade de não mais
nem a fuga vale a pena
dragão pairando na mente
as sombras de suas asas são dor
a Morte sempre nos convida a ir embora
e as engrenagens dessa maldita roda
nos trazem  infinitamente de volta.


domingo, 11 de março de 2012

tudo poesia


entre caminhos perdidos e corações quebrados
nesse mundo tão errado
Essa doença de ver tudo poesia ao meu lado
Não há mais tempo para lágrimas
a paz reservada à mim jaz
num abismo da mente, por hora, vago
nevoeiro transformando poesia, vago
E vem a lua entorpecer a vida
Rumor escuro sussurrando
ecos de cantigas a séculos desaparecidas 
Florescem espinhais que rodopiam,
Transpassam e elevam a alma,
dolorosa dádiva, de tudo poesia.