sábado, 3 de outubro de 2015

black box

há corações que sangram uma dor que o mundo não transmuta sangram o sangue que suas almas não comungam a folha cai, a pedra funda a água vai e pelo amor solitário expurga vejo homem, sou planta, a pedra superior tento calma, a minha alma, que cresce de terrível, tanta dor, é maior que o mundo vi a cor, senti o som, anjos sofrendo sem retorno a flor que nasceu no asfalto a folha verde que rebelde cresce a alma da arte arde e clama sozinha, nula, impotente seus filhos puros sacrificados que sacro oficio ter um mundo tão lindo e nele viver seres de si exilados a pureza é a rebeldia dessa era tão insana onde estão os guerreiros bons que protegem as almas puras? O gambá apedrejado a erva forte que é julgada dana quem enxerga a doce canção que esses anjos cantam? que nos acalante a ilusão de um céu

sábado, 22 de agosto de 2015

Aos Olhos Dele (Florbela Espanca)


Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Parecia tão denso
mas a um leve toque se esfarelou
com essa vontade de não mais
nem a fuga vale a pena
dragão pairando na mente
as sombras de suas asas são dor
a Morte sempre nos convida a ir embora
e as engrenagens dessa maldita roda
nos trazem  infinitamente de volta.


domingo, 11 de março de 2012

tudo poesia


entre caminhos perdidos e corações quebrados
nesse mundo tão errado
Essa doença de ver tudo poesia ao meu lado
Não há mais tempo para lágrimas
a paz reservada à mim jaz
num abismo da mente, por hora, vago
nevoeiro transformando poesia, vago
E vem a lua entorpecer a vida
Rumor escuro sussurrando
ecos de cantigas a séculos desaparecidas 
Florescem espinhais que rodopiam,
Transpassam e elevam a alma,
dolorosa dádiva, de tudo poesia.






quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno"




"...
A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura. Entretanto, a educação e a frequentação do mundo podem dar ao homem o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior. O mundo está cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno.
A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que, tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como a quererem desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem a si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que os chamariam à ordem, acham que pelo menos devem fazer-se temidos daqueles que lhes não podem resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: "Aqui mando e sou obedecido", sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: "E sou detestado."

Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia." - Lázaro. (Paris, 1861.)

Eu poderia chorar por você esta noite, mas já fiz isso, não vou lhe/me entediar de novo.

Vou ficar aqui brincando com esses pedaços de mim, os pedaços partidos tantas vezes estão ficando menores... observando assim, acho que um dia vão sumir ou se misturar ao pó da casa.

Não há culpados, veja só, apenas fatalidades. 

Aquela musica bonita não era pra mim. As bonitas nunca são.

Aprendi direitinho o que todos gostam - "boa menina". Professores cruéis me ensinaram a construir torres em montanhas e a tecer mortalhas... Mas, em deslizes, eu quase sinto, e dói um tanto aqui, um tanto ali, então eu lembro.... eu lembro.

...As bonitas nunca são.

depois esqueço.