segunda-feira, 5 de outubro de 2009


E o mortal inda empunha o antigo cálice (realmente) doce e amargo... Cada passo no improvável é um cortejo fúnebre de enleios - e velas para encaminhar os mortos. Dói? Por um desejo consentido eu já teria sumido, é o que digo.
Você foi luz quando só havia trevas, hoje a onda da escuridão volta violentando as fronteiras que sua claridade descobriu. Se eu tivesse lagrimas as derramaria, saiba, algo ainda dói em algum lugar e por isso abdiquei... De sofrer ainda mais um dia.
Por um lado vi encanto e por outro amargura, pacto de beleza obscura. Não se surpreenda se não choro, é que aprendi a esperar pela facada – inevitável – que num tardar a vida sempre talha.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009


Sigo vagamente, dia após dia, sem entusiasmo ou desejo, se penso não lembro de que ontem foram feitas paginas de um ano inteiro.
Brilhos incertos se extinguem no cinzeiro.
... Nada me enternece.
Se a dor invade a fantasia dá vida à anomalias.

Isolamento e sons de chuva são orações dispersas.

Simulacros de criaturas duvidosas são egos diabólicos de tudo o que se apresenta como gente, chacais que massacram almas por sadismo... Caricaturas gentis são as mais sórdidas.

Com inspirações tão tenebrosas não há arte que resista, e coisas terríveis surgem com nuances de cores que não podem ser vistas, pulsam musicas que não podem ser ouvidas e... Poesias que não deveriam ser lidas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009



Lagrimas do coração não caem,
Percebe quem sente.
Quem sente?
A alma...

Dias são pequenos mundos
Que a noite têm fim.

Uma flor por dia.
Uma flor por dia.
Uma flor por dia...

E abandono...

Nessa casa de loucos
Somos socorridos por agouros
Do fim dos mundos vindouros.
Que preço para o horror
Num grito insano de dor...
Atmosfera cáustica consome
Em cinzas sonhos que brotam mortos.

Uma flor por dia...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Asilo a correnteza do destino e lhe desejo nas paginas dessa história. Ancestrais segredam que vim ao mundo para acomodar contornos e nas ondas mornas lenitivas reconstruir almas divididas.
Não afronte este ofício com gracejos, pois ele apresenta-se grave, sorrindo pontas e olhares acesos (entre meus mais densos receios).
Dias absurdos são os escolhidos para encarar demônios (que meus piores pesadelos perdem de longe).
Vagarosas sazões de noites escuras abrigam combates silenciosos e quando passam ninguém percebe quantos seres das trevas vieram e foram embora.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quanto tempo tem o tempo
No tempo em que o tempo
Não vale um vintém?
Quanto tempo tem o tempo
Que tempera a cor do dia
Se está claro que na noite
O tempo todo choveria?
Quantos tempos têm um tempo
No tempo que não para?
Se de sonhos vive o homem
É a terra que o ampara.
Quanto tempo tem o tempo
Das pessoas que insistem em escrever?
E quanto tempo tenho ainda
Para ver o tempo que tenho
Escrevendo estas, perco o meu
E o seu tempo
Escrevendo todo o tempo
Que você acabou de ler.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O tolo o tempo todo perde a convicção.
Vermes corroem as sementes antes da arvore.
Existência insólita suspende sentimentos rotos.
Imensos precipícios entre vingança e destroços.
Majestades declinadas...
Lembranças esfaceladas...
Aroma de livros senis e madeira nova.
O pincel segue a nervura do violino.
Ébrios de vida...
Pérola liquida...
Aço esguio noturnamente cintila.
Curvas acariciando róseas fronteiras.
Cristal cheio de sabores plenos.
Questões correm profundas por acasos.
Longe brigam os gatos.
E mais silêncio e mais nada.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

red box...













Mais um animal humano no mundo... nu mundo...
como você...
e como! Ah, se como...
Se como no reino dos sonhos fossemos todos santos...


meu vegetarianismo-político me poda... É fo...
É fora de realidade, apenas.


Meu eu-ilícito acorda e se passo a língua os dentes são só pontas, sem contas, em noites nevoentas só confusão e ervas jovens e horas mortas, tudo coberto com orvalho fresco, não existem números pra tantos ossos... faltou comunicação... e cigarros.

Puro disparate... Ah! E a pureza! Essa é brutalidade intensa, de castidade e risinhos vergonhosos se constrói violência, não sejamos ridículos, ora.

Que a certa altura de escuridão nem o tempo nos devora... E você? ora? Implora?
Se lhe ouvem do outro lado, aconselho como amigo, que corra e se esconda.

Ah! É das faltas mais graves pronunciar palavras que não precisam ser ditas.
e tenho dito...

e como...