segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sabia que o sofrimento esperava na porta de saída... Mas a saudade eu senti antes mesmo de você partir e agora já não resta nada.
Ah, sem tragédias.

A vida vaga... Um barquinho carregado ao sabor de um rio ermo para um oceano desconhecido.
Nem os fantasmas marginais se interessam pelo solitário tripulante... Que mudo se apaixona apenas pela calmaria noturna de um céu distante.

domingo, 6 de dezembro de 2009


Antiga escrita da arte do sangue
traz de volta o contentamento
que todos os dias a vida rouba.

Num túmulo escuro me conforto,
fui expulso dos 14 reinos e prossigo
uma mentira de paz aparente.

Tudo portas ao acaso, sem mistérios
a existência se arrasta em corrente,
passei uma década na janela
observando altruísmo e bondade.

Sonho consideráveis pesadelos,
quando tédio é uma constante,
medo é uma joia rara.

Não pretendo chegar a lugar algum, desisti das pretensões, não sinto essa obrigatoriedade de ser feliz, vejo-me a parte, na superior arrogância da solidão.
Meus dias seguem feitos de névoa vaga, sempre acabo antes dos momentos.
É a beleza angustiante de viver em fragmentos.
Num mundo feito de contrastes, uns nascem luz outros trevas, nada mais.
O projeto divino é cheio de falhas...

domingo, 29 de novembro de 2009

Não sou um deposito de ilusões,
posso discorrer sobre o orbe onde habitei
Sem que seja significação
Sem que seja duração
Sem que seja coração

Falha a gravidade, tudo pende, fora do ar.


Vontades desordenadas onde pequenos erros tornam-se acertos.

Quando pensei seu nome alguém do outro lado ouviu
os nevoeiros revelaram sua alma e toques amargos de obstinação
Não acredito, não me admiro, admito.
Mais uma vez, sentar e escutar, e espero.

É da tolice mais humana ajoelhar-se perante o que nos estimula a visão. Ciente, fecho os olhos e observo além sob os conselhos dos mestres Métis e Aión..
Já não desejo, destôo, deslizo, indefino...

Evasiva, não me apetece esse mundo descontínuo, inoperante, dividido. 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O navio sombrio segue pela noite enquanto a vida precipita-se, esbarra e morre em pequenos conceitos.
Passageiros em cabines escuras idealizam o infinito, imaginando que um passo errado os levará ao abismo, ignoram sua prisão.
O amor é uma cilada. A felicidade é verdade adulterada.
Amizade são ratos e baratas que roem a nossa alma enquanto vemos televisão.
Para que a realidade dê lugar aos sonhos a paz é a solidão, drogas sintéticas e musica surreal.
O desejo é abstrato.

É triste viver aqui, para que um sorriso venha é preciso esquecer-se de si.
O que será pior: matar a alma para continuar vivendo ou matar o corpo para poupar a alma?
Essa vaga ideia de eternidade é um tormento, quanto tempo isso pode durar?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ancorou no velho cais pra reorganizar conflitos sem trazer ordem, não parta... As lembranças em desgosto.

E sentido inerte sem motivação alguma na incoerência de experimentar o caos e desejar apreender alguma coisa.

Remotas areias se libertam da ampulheta para escorrer entre os dedos na liberdade vertiginosa... Da queda.

Conhecemos o fim e provamos cada instante como um vício alucinante, a força do choque de noturnas tempestades opostas.
E uma graça melancólica nos lábios quotidianos onde o sol aponta.

domingo, 18 de outubro de 2009


Acre é a lágrima inexistente em um nó que não desata
Nessa linha de serpentes
na garganta... Mais um sorvo de atitudes rudes e pessoas de alma suja.
Ah! Uma cruz que já produziu calos,
Gostaria de não gostar
e tolerar decentemente as sombrias agulhas de gelo que atravessam o coração.

Ancestral batida pulsando... Vida ou qualquer coisa navegando nas "águas verdes do Lethe"

*"Hey you! Don’t help them to bury the light
Don't give in without a fight"


**a vela apagou. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Entusiasmo apaixonado, alucinações!
A real fantasia, fantasmagoria
Receio refletindo espelhos
É melhor não ser tão frágil,
pondero: “se me permito, submerjo”
E essas janelas caem o tempo inteiro
com todos os sentimentos profundamente abismos.

Disse o adeus e anoiteceram parições trazidas pelo demônio,
"é veneno velado" - cismo.

Em flashs a luz percorre aparições sorrindo, em tons graves infinitamente repetitivos, você os ouve rindo?
Sufocante batida que nunca termina... Celebro a juventude degustando morte.
Repito e ratifico: Prazer e dor estão no mesmo caminho.